Petrus LucchesiTreinador comportamental e hipnoterapeuta

Blog · Hipnoterapia

O que é hipnoterapia e como funciona um atendimento?

Por Petrus Lucchesi
23 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Você pensa em procurar hipnoterapia, mas tem uma dúvida que vem antes de qualquer outra: o que vai acontecer comigo ali? Vou continuar ouvindo? Vou conseguir falar? E se aparecer alguma coisa com a qual eu não saiba lidar?

São perguntas importantes. Afinal, você está considerando confiar a alguém uma parte da sua vida que talvez nem consiga explicar direito. Antes de aceitar uma condução, precisa compreender do que está participando.

A hipnoterapia é o uso da hipnose com uma finalidade terapêutica. A hipnose envolve uma atenção mais concentrada, na qual sugestões e imagens podem ajudar a trabalhar percepções, sensações e respostas. O objetivo e a maneira de conduzir esse processo precisam fazer sentido para a situação da pessoa. Royal College of Psychiatrists.

Quero explicar isso sem transformar a sessão numa coisa misteriosa. Quanto mais você entende a proposta, mais condições tem de fazer perguntas, reconhecer seus limites e decidir se aquele trabalho é adequado ao que procura.

Você participa do processo

Talvez a imagem que venha à sua cabeça seja a de alguém recebendo uma ordem e fazendo alguma coisa sem perceber. Essa imagem costuma vir de apresentações e filmes. Num atendimento, a proposta envolve sua participação e um objetivo combinado.

Você pode continuar percebendo a voz do profissional e o lugar onde está. Pode falar, pedir esclarecimentos ou interromper. Estar mais concentrado numa experiência não significa ter de concordar com tudo o que alguém disser. O NHS destaca que a pessoa mantém controle e pode recusar sugestões. Orientação do NHS sobre hipnoterapia.

Também é possível ficar pensando se está fazendo aquilo direito. “Eu ainda estou ouvindo, será que funcionou?” A experiência varia entre as pessoas. Apagar ou perder a noção do que acontece não é uma condição que você precise cumprir para participar.

Por isso, a qualidade do trabalho não deve ser medida pelo quanto a sessão pareceu impressionante. O que importa é o objetivo, a adequação da condução e a avaliação do que muda, ou não, na dificuldade que levou você até ali.

A conversa vem antes da técnica

Em termos gerais, um atendimento começa pela compreensão do que você procura. O que tem acontecido? Quando começou a incomodar? Em quais situações aparece? Como interfere na sua vida? O que você gostaria de conseguir fazer ou viver de outra maneira?

Você pode chegar dizendo apenas que sente medo, que se cobra demais ou que não consegue se sentir à vontade em determinadas relações. Essa primeira descrição abre uma conversa. Ainda será preciso entender o contexto, sua história, os cuidados que já recebe e se a hipnoterapia é uma possibilidade apropriada.

Na minha forma de olhar para esse trabalho, minha formação em hipnoterapia e em Programação Neurolinguística (PNL) participa dessa atenção à experiência da pessoa: o que acontece, como ela interpreta aquilo e o que passa a esperar de si e dos outros. Uma situação aparentemente pequena pode carregar um significado enorme para quem a vive.

Imagine alguém que recebe uma observação e imediatamente sente que será rejeitado. A observação aconteceu no presente, mas o significado de ser corrigido pode ter uma história. Compreender essa relação exige escuta. Uma interpretação pronta, aplicada a todo mundo, deixaria de fora aquilo que precisa ser entendido naquela pessoa.

A tradição de Milton Erickson também destaca a importância de adaptar a condução à singularidade de cada pessoa e aos recursos que ela já possui. Essa é uma referência profissional útil para pensar o cuidado, sem transformá-la em promessa de resultado. Milton H. Erickson Foundation.

O que pode acontecer durante a hipnose

Depois de explicar a proposta e combinar os objetivos, o profissional pode conduzir sua atenção pela voz, por imagens ou por sensações. Algumas abordagens usam relaxamento e imaginação de situações. As sugestões se relacionam ao que foi acordado, e a condução pode ser ajustada conforme sua resposta.

Ao final, há uma retomada da atenção ao ambiente e espaço para conversar sobre a experiência. O NHS apresenta esse percurso como uma descrição geral, lembrando que existem diferentes tipos de hipnoterapia e maneiras de conduzir a hipnose. Como pode acontecer uma sessão.

Isso não permite prometer uma sequência idêntica em todos os atendimentos. A mesma dificuldade descrita por duas pessoas pode exigir compreensões e encaminhamentos diferentes.

Também não existe uma obrigação de procurar uma cena antiga ou de produzir uma lembrança para que o encontro tenha valor. Se o passado entrar na conversa, ele precisa ser tratado com cuidado. Eu considero importante que você possa falar sobre o que lembra e sobre o que não sabe, sem receber uma história pronta sobre si.

O que a pesquisa permite afirmar

Uma revisão publicada em 2024 reuniu 49 análises de estudos sobre hipnose, com 261 estudos primários distintos. Encontrou resultados favoráveis em diferentes situações, com evidência mais robusta em procedimentos médicos e no manejo da dor. Também apontou diferenças importantes entre os estudos e limitações de qualidade. Portanto, o resultado de uma aplicação específica não pode ser estendido automaticamente a toda dificuldade emocional. Rosendahl e colaboradores, 2024.

Para quem procura ajuda, a pergunta precisa ficar mais concreta: qual é a proposta para a minha dificuldade, por que ela foi escolhida e como vamos acompanhar o processo?

Você tem razão em perguntar sobre resultados. Uma resposta responsável considera a situação, o que a pesquisa sustenta para aquela finalidade e a maneira como você responde ao acompanhamento. Prometer resolver qualquer problema em um número fixo de sessões ignora essas diferenças.

O que vale esclarecer antes de começar

Converse sobre a formação do profissional, sua experiência com a dificuldade que você apresenta, os métodos propostos e os limites do trabalho. Esclareça também duração, valores, confidencialidade e como o acompanhamento será revisto. Essas informações precisam vir do atendimento que você está considerando, e não de uma descrição genérica na internet.

Informe condições de saúde, medicamentos e outros acompanhamentos que realiza. A hipnose pode não ser apropriada em algumas situações de saúde mental, e essa avaliação faz parte do cuidado. A Mayo Clinic recomenda escolher um profissional com formação específica e discutir previamente os objetivos e as condições relevantes. Mayo Clinic: preparação para hipnose.

Você pode começar essa conversa com a própria dúvida: “Tenho interesse, mas ainda não entendo como funciona e quero saber se faz sentido para mim”. Essa é uma maneira legítima de se aproximar.

Antes de confiar num processo, você precisa ter espaço para compreendê-lo. E esse espaço já diz alguma coisa sobre o cuidado que está sendo oferecido.

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